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Paulo Bruscky, em entrevista

por_Karina Sérgio Gomes

Meu primeiro post neste blog foi sobre a exposição “Ars Brevis”, primeira individual em um museu do artista Paulo Bruscky. E para o trabalho de jornalismo cultural, que em breve postaremos aqui no blog, tentei uma entrevista com Bruscky por e-mail, a qual foi não foi respondida a tempo para o trabalho, mas que vale a reprodução.

Karina: Como você entrou para o Grupo Fluxus?
Paulo Bruscky:
Através da arte correio, desde o início dos anos 70, e quando ganhei a bolsa de artes visuais da Fundação Guggenheim, em 1982, fui morar em Nova Iorque e tive contatos pessoais com alguns dos seus integrantes, como Dick Higgins, Ken Friedman e John Cage, entre outros. Posteriormente, fui residir em Amsterdam e entrei em contato com Klaus Gröh, Robert Rehfeldt e mais alguns integrantes do grupo Fluxus, além de ter participado de vários eventos com seus membros, tendo inclusive realizado uma performance com Ken Friedman.

K: Na sua opinião, como o grupo e a arte postal influenciaram as artes plásticas?
PB:
Depois da Pop Art, foi o único movimento a nível internacional  surgido, e teve uma força maior porque o subterrâneo do mundo todo estourou simultaneamente.

K: Como o grupo influenciou a forma de fazer arte?
PB:
Na verdade, na arte correio o importante é a informação e o contato: é a vida na arte.

K: Quais eram os artistas com quem se correspondia?
PB:
Robert Rehfeldt, Klaus Gröh, Ken Friedman, Clemente Padin, Horacio Zaballa, Edgardo Vigo, Jorge Caraballo, Guillermo Deisler, Mike Crane, grupo Texto Poético, Fred Forest, Antoni Muntadas e muitos outros.

K: A data “Maio de 1968″ completa 40 anos neste ano, como foi este ano para você?
PB:
Acho que o ano de 68, independentemente de Paris,  foi um ano importante da resistência, não só no Brasil como em toda a América Latina, com relação aos regimes ditatoriais e a arte correio teve um papel fundamental nessa luta e em mudanças de conceitos.
 
K: Estava realizando algum trabalho na época? Qual?
PB:
Sempre trabalhei bastante nas minhas idéias, e é difícil citar apenas um trabalho, mas no período trabalhei muito com poesia visual, intervenções urbanas, objetos e trabalhos conceituais.

K: Chegou a ter alguma obra censurada?
PB:
Tive grande parte da minha produção censurada, inclusive a minha própria pessoa; cheguei a ser preso três vezes pela ditadura militar.

K: Como era ser artista, produzir obras e realizar performances durante a ditadura?
PB:
Era enfrentar o risco com a própria vida, porque só assim é que se mudam as coisas.

K: E qual foi a melhor obra que produziu até agora?
PB:
A que eu vou fazer.

K: Há alguma que você não gostaria de ter feito?
PB:
Tudo que fiz.

>> Ars Brevis: até 28/04. MAC, Rua da Reitora, 160, Cidade universitária. tel: 3091-3039. Terça a sexta: 10h às 18h, sábado e domingo: 10h às 16h. Grátis.

Add comment Abril 20, 2008


 

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