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Divagações numa aula de Jornalismo Cultural
A importância dos crÃticos de arte numa sociedade em que cultura é mercadoria
Por Camila Taira
“Gosto deve ser discutido, sim”, afirmava o sambista Adoniran Barbosa. Mas você vai me perguntar por que não deixei para o Seguindo a Canção a tarefa de falar sobre um dos maiores compositores brasileiros. Antes que vocês me atirem ao “árvaro”, vou explicar.
Hoje, à s oito horas da manhã, numa aula de jornalismo cultural com o professor Heitor Ferraz, a sala começou a discutir o papel dos crÃticos de arte na sociedade atual.
É óbvio que o assunto esbarrou na questão de que a arte virou mercadoria. Realeses ocupam o espaço das crÃticas, que por sua vez avaliam, por meio de estrelinhas, se tal filme vale meia entrada, se tal livro vale a pena ser comprado, se tal exposição vale o preço que cobra, se tal show vale mais que o tamanho da fila das bilheterias.
Quando a obra de arte estava atrelada a Deus, a pintura era um espelho da realidade. O slogan da época poderia ser: “A arte imita a vida”. Platão não era publicitário, mas pensava assim.
Quando o homem passa a ser o sujeito-objeto e a razão toma o lugar da religião, a arte passa de uma simples e incontestável imitação para uma proposta de invenções. Com isso surge a necessidade de se explicar a obra de arte para o público. O gosto começa a ser discutido. Surge, então, a crÃtica.
A arte ganha pinceladas de subjetividade, emoções, formas abstratas. Ganha tons de agressividade, provocações, metáforas, metalinguagens. A crÃtica tenta traduzir as evidências e os enigmas.
Mas qual é o verdadeiro papel de um crÃtico de arte? Muitos acham que esse profissional é um artista frustrado. Acredito que não. A importância dos crÃticos está na mesma responsabilidade de um jornalista econômico: traduzir algo complexo para uma linguagem compreensÃvel à maioria das pessoas. Ou seja, ser a ponte. No caso do jornalista, entre a esfera privada e a esfera pública. No caso do crÃtico, entre a obra de arte e o público.
Por fim, o bem-humorado crÃtico de arte OlÃvio Tavares de Araújo avisa: “Se um dia você ler uma crÃtica e não entender o raciocÃnio do texto, não duvide da sua inteligência, nem do artista. Duvide, primeiro, do crÃtico de arte”.
Add comment Abril 18, 2008
